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22/01/2026

Recuperação Estratégica de Ativos: Como Identificar devedores contumazes e Aplicar Medidas Judiciais Eficazes.

A inadimplência recorrente representa um dos maiores desafios para empresas que desejam manter fluxo de caixa saudável e estabilidade operacional.

Diante desse cenário, a recuperação estratégica de ativos torna-se essencial para identificar devedores contumazes, adotar mecanismos preventivos e aplicar medidas judiciais eficazes, capazes de resguardar o patrimônio empresarial e reduzir perdas financeiras.

Combinando práticas de inteligência jurídica, análise de comportamento financeiro e ferramentas processuais de alta efetividade, é possível elevar a efetividade dos procedimentos de recuperação de créditos.

Apresentamos abaixo um panorama aprofundado sobre o tema, com estratégias que fortalecem a atuação empresarial.

A seguir, apresentamos uma análise técnica sobre o tema:

Quem é o Devedor Contumaz e quais as suas principais características?

O devedor contumaz é aquele que age de forma reiterada e planejada para evitar o cumprimento de obrigações, adotando condutas como:

  1. Reiterado atraso ou não pagamento de dívidas;
  2. Uso de diferentes empresas para mascarar patrimônio;
  3. Alteração constante de endereço sem comunicação;
  4. Inexistência de bens em nome próprio;
  5. Histórico de ações com múltiplas execuções.

Embora a legislação não defina expressamente a figura do devedor contumaz no âmbito civil, dispositivos como os arts. 389 e 395 do Código Civil asseguram que o inadimplente responde integralmente pelas consequências do descumprimento.

Identificar precocemente esse perfil permite selecionar estratégias mais firmes e menos flexíveis de recuperação.

 

Mapeamento de Risco e Inteligência Jurídica na Recuperação de Ativos

A recuperação estratégica de ativos depende de informação, e não apenas da existência de um título executivo.

O mapeamento de risco permite avaliar:

  1. Capacidade financeira do devedor;
  2. Registros de protestos;
  3. Ações judiciais em andamento;
  4. Vínculos societários e patrimoniais;
  5. Existência de recuperações judiciais ou falências;
  6. Movimentação econômica recente.

O CPC reforça que documentos, dados financeiros e consultas públicas podem ser utilizados como prova. A análise prévia orienta a decisão entre flexibilizar a negociação ou adotar medidas judiciais imediatas.

 

Quando Negociar e Quando Judicializar e os principais Critérios Técnicos de Escolha

A distinção entre devedor eventual e contumaz é decisiva para a estratégia de cobrança.

A negociação é eficaz quando há:

  1. Intenção real de pagar;
  2. Atividade operacional ativa;
  3. Histórico de bom relacionamento comercial.

Por outro lado, diante de indícios de fraude patrimonial, ocultação de bens ou comportamento reiterado de inadimplência, a negociação torna-se ineficaz.

Nessas situações, a recomendação técnica é promover ações céleres que impeçam dissipação patrimonial, como arresto, execução e medidas cautelares.

O sistema jurídico privilegia a solução consensual, mas a boa-fé deve ser recíproca. A empresa não é obrigada a negociar com quem atua de modo abusivo ou fraudulento.

 

Título Executivo como Instrumento que Acelera a Recuperação de Ativos

A recuperação estratégica depende da existência de títulos executivos que permitam ingresso imediato na execução. Entre eles:

  1. Contratos assinados com duas testemunhas;
  2. Confissões de dívida;
  3. Notas promissórias;
  4. Duplicatas e cheques;
  5. Sentenças judiciais e arbitrais.

O art. 786 do CPC estabelece que a execução deve ser promovida no interesse do credor, autorizando medidas incisivas como penhora, bloqueio de valores e constrição de bens, desde que respeitada a proporcionalidade.

Empresas que estruturam bem seus contratos conseguem recuperar ativos com rapidez e eficiência.

 

Quais as Principais Medidas Cautelares Estratégicas?

Para evitar dissipação patrimonial, é possível utilizar medidas cautelares como:

  1. Arresto (antes da citação, quando há risco);
  2. Protesto judicial;
  3. Averbação premonitória em matrículas de imóveis;
  4. Pedido de indisponibilidade de bens em casos de fraude.

O art. 300 do CPC admite tutela de urgência quando presentes probabilidade do direito e risco de dano. Esses mecanismos são essenciais para devedores contumazes, cuja conduta tende a inviabilizar o pagamento futuro.

 

Execução Forçada e Medidas de Localização de Ativos

Após o ajuizamento da execução, o credor pode solicitar:

  1. Bloqueio de valores via SISBAJUD;
  2. Pesquisa de veículos pelo RENAJUD;
  3. Pesquisa de imóveis por sistemas integrados dos cartórios;
  4. Penhora de faturamento;
  5. Penhora de quotas societárias.

O art. 797 afirma que a execução deve ocorrer pelo meio menos gravoso ao devedor, mas o art. 835 assegura que a penhora pode recair sobre qualquer bem apto a satisfazer a obrigação.

Empresas que adotam ferramentas jurídicas eficazes e atuam preventivamente tendem a obter maior assertividade na localização de ativos

Quando aplicar a medida de Desconsideração da Personalidade Jurídica?

Quando o devedor utiliza a empresa como instrumento para fraudar credores, o ordenamento prevê a desconsideração da personalidade jurídica.

A medida é cabível em casos de:

  1. Desvio de finalidade;
  2. Confusão patrimonial;
  3. Abuso da personalidade jurídica;
  4. Ocultação deliberada de bens.

O incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica é instaurado garantindo contraditório e ampla defesa. Para devedores contumazes, esse procedimento muitas vezes é decisivo para alcançar patrimônio oculto em nome de sócios.

 

Responsabilidade de Sócios e Administradores no Inadimplemento

O ordenamento permite responsabilizar pessoalmente sócios e administradores quando:

  1. Agem com excesso de poderes;
  2. Violam a lei ou contrato social;
  3. Praticam atos com fraude, dolo ou má gestão.

O Código Tributário Nacional também admite responsabilização em casos de infração legal relacionada a obrigações tributárias.

Quando o devedor contumaz oculta bens por meio de empresas interpostas, a responsabilização de administradores torna-se ferramenta estratégica de recuperação.

 

Estratégias Avançadas como Negociação e Pressão Judicial

Para certos perfis de devedores, a melhor abordagem combina:

  1. Ajuizamento imediato da execução,
  2. Somado à abertura de negociação.

A pressão judicial reduz o comportamento protelatório e estimula acordos mais vantajosos.

Cláusulas de confissão de dívida, garantias reforçadas e previsões de penalidade transformam o acordo em título executivo, evitando reincidência.

 

Por fim, a recuperação estratégica exige técnica, inteligência e prevenção.

A recuperação de ativos não se resume à cobrança. É um processo técnico, estruturado e contínuo que envolve a identificação precoce de devedores contumazes, análise de comportamento financeiro, uso inteligente de títulos executivos, medidas judiciais eficazes e tempestivas, articulação entre jurídico e financeiro e monitoramento constante do patrimônio do devedor.

É fundamental contar com especialistas em recuperação de créditos, pois, empresas que adotam práticas preventivas e utilizam ferramentas jurídicas adequadas conseguem reduzir perdas, fortalecer sua governança e medidas que potencializam a efetividade da recuperação

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